quarta-feira, 7 de março de 2012

61ª CONVENÇÃO NACIONAL E ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE DA QUADRANGULAR



Estamos às portas da 61ª Convenção Nacional da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ). Esta convenção, que ocorrerá do dia 27 a 29 de março, em Camburiu-SC, reveste-se de grande importância devido a eleição para presidente do Conselho Nacional de Diretores (CND).

Na verdade esta eleição também abrange outros cargos do CND. Conforme informativo oficial de convocação estarão em disputa os seguintes cargos, além de presidente: 2º Vice-Presidente, 3º Vice-Presidente, 2º Secretário e 1º Tesoureiro . Contudo, a maior visibilidade é concedida a disputa pela presidência.

Conforme estatuto, “O CND é órgão superior de unidade da igreja, com funções legislativas, deliberativas e administrativas, nos limites deste Estatuto e sua conduta se estriba nos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade.” (Artigo 66, 2006; destaque meu)

Disputam a presidência nacional da IEQ: Rev. Jayme Paliarin, atual 1º vice presidente do CND; Rev. Mário de Oliveira, atual presidente do CND; e Rev. Waldir Agnello, atual 1º vice presidente do CED-SP. Cito os candidatos por ordem alfabética. Está ordem também deverá ser a da cédula de votação (ou outro meio usado). Tendo em vista coincidir com a regra estatuária: “O Presidente da Comissão eleitoral mandará confeccionar cédulas, obedecendo à ordem de preferência, do primeiro ao último lugar, por ordenação no ministério, do mais antigo ao mais novo.” (Artigo 70, parágrafo 2º, 2006).

I – PERFIL DOS CANDIDATOS
Rev. Jayme Paliarin

Natural de São Paulo, nasceu em 12 de março de 1932. Casado com Nancy Augusta da Rocha Paliarin. Tem quatro filhos.
Ingressou na IEQ em agosto de 1955, também data de entrada no ministério. Consagrado Ministro do Evangelho em 10 de janeiro de 1956. Foi Superintendente Regional em Bauru, Secretário Executivo do CND de 1976 a 1988, de 1992 a 1993 e de 1996 a 2000. Em 2010 foi eleito 1º vice presidente do CND. Atualmente desenvolve ministério em Campo Grande, Mato Grosso.
Graduado em Ciências Jurídicas, foi vereador e presidente da câmara de vereadores de Bauru-SP e deputado federal por São Paulo.

Rev. Mário de Oliveira

Natural de São Paulo, nasceu em 3 de novembro de 1945. Casado com Bianca Oliveira. Tem dois filhos.
Ingressou como obreiro da IEQ em 28 de maio de 1965. Foi superintendente e Supervisor no Estado de Minas Gerais, Vogal do CND. Eleito presidente do CND em 1996, 2000, 2004 e 2008.
É deputado federal por Minas Gerais por quatro mandatos consecutivos.

Rev. Waldir Agnello

Natural de São Paulo. Casado com Roseli Agnello. Tem 3 filhos.
Ingressou no ministério em 1985. Foi professor e vice presidente nacional do ITQ, diretor da Editora Quadrangular. Foi Secretário Nacional de Comunicação. No estado de São Paulo foi Secretário Estadual da EBD, Coordenador Estadual do diaconato, 1º tesoureiro e, atualmente, 1º Vice Presidente reeleito do CED.
Graduado em Administração de Empresas e Economia, com MBA em Logística empresarial. É professor no curso de pós-graduação da FGV e consultor empresarial. Foi deputado estadual em São Paulo por dois mandatos, sendo 1º vice presidente da ALESP.


II – PROPOSTAS DOS CANDIDATOS

Os três candidatos expõem suas propostas de administração na internet. Após pesquisa em seus sites, observei que os pastores Jayme Paliarin e Waldir Agnello têm uma divulgação mais ampla dessas propostas. O pastor Mário de Oliveira, salvo engano, divulga suas propostas em vídeos no Youtube. Ao final do texto publico seus sites e propostas.

Lembremos da importância dessas propostas. Sabendo que estamos lidando com homens de Deus, devemos acreditar que cumprirão aquilo que estão propondo, ou, ao menos, trabalharão para isso.

Abaixo compartilho considerações sobre o processo, algumas são relativas a propostas.


III – O PAPEL DA INTERNET NO PROCESSO

“Seja no Egito, Espanha, Estados Unidos ou Brasil, o poder da internet como meio capaz de reunir milhares de pessoas para protestar, apoiar, criticar ou defender uma causa dá cara a um admirável novo mundo.” Com esta epígrafe, o caderno Arrecifes, do Jornal do Comércio, destacou a importância da rede mundial de computadores para arregimentar pessoas para movimentos comuns. O título da reportagem é “A Mudança Parte da Rede”. (12/02/2012)

Os três candidatos estão atentos a importância das Redes Sociais para o pleito. De início, no dia que oficializaram suas candidaturas, os três realizaram as devidas divulgações no Facebook e Twitter. Comum a eles também é a manutenção de suas páginas pessoas na rede. Nelas, divulgam biografia, propostas, princípios e vídeos com testemunhos e apoios.

A professora Maria Eduarda Rocha, da UFPE, esclarece que “uma das grandes características do país [o Brasil] é o amplo uso dessas ferramentas [Redes Sociais]. O tempo médio que o brasileiro dedica às redes sociais é acima de muitos outros países. (Arrecifes, Jornal do Comércio de 12/02/2012).

Essa realidade tem sido palpável para muitos de nós. Anteriormente não tínhamos conhecimentos do processo eletivo para presidente da IEQ, nem dos candidatos e muito menos de suas propostas.

Não dispondo de pesquisas de opinião oficial sobre o pleito. Alguns sites mantêm enquetes on line sobre a intenção de votos. Como é o caso do Blog Opinião e Fatos (clique AQUI) e do site Informe Quadrangular (AQUI).

Vale ressaltar que não existem parâmetros para aferir o possível eleitor nestas enquetes on line, tendo em vista os seguintes pre requisitos para votar: ser membro do ministério da IEQ; está inscrito na atual convenção e, logicamente, estar presente no local da convenção.


IV –CONSIDERAÇÕES

1. Lembre-se antes de tudo: seu voto é secreto! Sendo assim, ore a Deus e analise cada candidato. É inconcebível um líder, formador de opinião, exercer seu voto sem realmente analisar os candidatos. Depois será colhido o que for plantado.

2. Devemos analisar fatores relevantes mais do que ter mais ou menos idade, mais ou menos tempo de ministério, o novo ou o antigo. “A essência de algo não está em sua pura e simples cronologia” (Hermisten Maia). O valor do presidente para IEQ não está no nome ou idade. Está em seu histórico, propostas e, principalmente, seu compromisso com Deus e com a igreja.

3. Deve-se considerar uma real e exequível proposta de trabalho para o norte e nordeste do país. Estas regiões parecem viver um pouco a margem de nossa igreja. Residi por 6 anos em Manaus e de volta a Recife, estou a 8 anos. De informação a apoio missionário, o relacionamento entre essas regiões e o eixo sul-sudeste é deficitário. Não foi este o relacionamento da igreja Quadrangular Internacional para abertura da obra no Brasil. Também não foi esse o relacionamento aplicado pelos pioneiros Quadrangulares nacionais. É de suma importância que o candidato exponha uma boa proposta sobre essas regiões.

4. Não chegaremos à maioridade de nossa igreja sem uma boa e ampla estrutura educacional. Quando digo maioridade, refiro-me a uma igreja grande e saudável, que vela pelas coisas de Deus. O Sistema Educacional teve um considerável desenvolvimento nos últimos 5 anos. Contudo, esses passos seriam mais largos e firmes se houvesse maior apoio. No desenvolvimento educacional, se encaixa a Editora Quadrangular. A editora poderia ser um braço da educação. Poderia estar, primeiramente, a serviço da educação quadrangular. Essa é a forma que atuam a CPAD, na Assembléia de Deus, e a JUERP, na Batista. Assim desenvolveram educação teológica e escolas bíblicas fortes. Bases para uma igreja saudável. Acredito que deve-se considerar uma proposta de apoio a Educação Quadrangular.

5. Qualquer sociedade que se fundamenta sobre uma real democracia não abre mão de estabelecer limites para reeleições. Devemos analisar se reeleições ininterruptas são sadias para administração da igreja. Um antigo estatuto da IEQ que tenho em mãos assim registra: “Todos os membros do referido conselho serão eleitos pela Convenção Nacional por maioria simples de votos... com direito à reeleição consecutiva exclusivamente por mais um mandato.” (Artigo 22º, parágrafo 1º; não consegui identificar o ano do estatuto) Em apostila usada pelo ITQ por correspondência, encontramos: “reeleição permitida apenas para mais um período de quatro anos.” (MARQUES, Cairo. Administração Eclesiástica, 1998, pg 13).

6. “Tudo, porém, seja feito com decência [euschemonos] e ordem [taksis].” (1Co 14.40) Entendo que o verso em pauta refere-se ao culto, tornando-se princípio regulador do mesmo. Porém, sugiro aplicá-lo ao desenrolar do pleito. Antes, durante e após a convenção. A decência refere-se ao que é decoroso e honesto. Paulo usa o mesmo termo em Rm 13.13: “Andemos dignamente [euschemonos], como em pleno dia...” A dignidade da metáfora de andar em pleno dia (na luz), refere-se a não fazer as escondidas, às escuras. Ideia reforçada por deixar as trevas (Rm 13.12) e em nada se dispor na carne (Rm 13.14). Está dignidade [euschemonos] também é referida pelo apóstolo ao tratar do amor fraternal (entre irmãos; desculpem a redundância). “No tocante ao amor fraternal... estais por Deus instruídos que deveis amar-vos uns aos outros;... estais praticando... Contudo, exortamos, irmãos, a progredirdes... de modo que vos porteis com dignidade [euschemonos] para com os de fora...” Ou seja, o desenvolvimento do amor fraternal revela dignidade (decência) para com os de fora. O outro termo, ordem [taksis], foi referido por Paulo ao revelar sua alegria em relação aos colossensses. Eles estavam em “boa ordem [taksis]” (Cl 2.5), mesmo na ausência paulina. Em Hebreus 5.6 e 10, ao referir-se a “ordem [taksis] de Melquisedeque”, revela a qualidade ou caráter de Melquisedeque. Que a decência e ordem ao qual referimos, revele qualidade e caráter no desenrolar do pleito.

Que Deus abençoe os reverendos Jayme Paliarin, Mário de Oliveira e Waldir Agnello!

Que Deus abençoe a 61ª Convenção Nacional de Pastores da IEQ!

Que Deus nos abençoe!


LINKS

Pr. Jayme Paliarin

Pr. Mário de Oliveira

Pr. Waldir Agnello
Site
Youtube

Celson Coêlho
Editor do Blog

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

VOCÊ OUVIU O GALO CANTAR?



“O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Salmos 30:5

“Bendito seja aquele que deu inteligência ao galo, para distinguir o dia da noite” Sidur (livro de orações judaica)

*Por Celson Coêlho

Sou natural da terra que dizem ter o maior bloco carnavalesco de rua do mundo, o Galo da Madrugada. Amanhã é seu dia, sábado de carnaval. Mas não é desse galo que desejo falar...

Quero falar com você sobre o galo na cultura judaica. Com ênfase na liturgia.

O termo galo não ocorre no Antigo Testamento. No Novo, surge naquelas passagens sobre a negação de Jesus por Pedro (Mt 26.34; Mc 14.30; Lc 22.34; Jo 13.38) e em Marcos 13.35. Nestas ocasiões, temos referências ao “cantar do galo”.

A expressão “cantar do galo”, ou similares, tomou outro significado além da literal indicação do canto de uma ave. “Cantar do galo” virou referencial de uma das divisões da noite para os judeus. Antes do domínio romano, os judeus dividiam a noite em três vigílias (Sl 63.6 – “vigílias da noite”):
  • Do pôr do sol (18h) a meia noite;
  • Da meia noite ao “cantar do galo” (3h); e
  • Do “cantar do galo” ao amanhecer.
Após o domínio romano, a noite passou a ser dividida em quatro vigílias: “Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã.” (Mc 13.35) Mas ainda encontramos o “cantar do galo” como referência.

Comentando João 13.38, HULL nos esclarece: “O ‘cantar do galo’ era o nome dado a terceira vigília da noite (12h às 3h da madrugada). Jesus predisse, então, que a lealdade de Pedro não duraria até a manhã seguinte.” (pg. 384)

Temos a noite, quase senso comum, como metáfora de dificuldades. A noite é sinônimo de escuridão, solidão e sofrimento. A Bíblia faz uso dessa analogia: “... terror noturno” (Sl 91.5); “... a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9.4b); “... porque, nela [na Nova Jerusalém], não haverá noite” (Ap 21.25).

Contrário à noite, temos o amanhecer como metáfora de bons tempos. São opostos por si. Nas analogias também: “Deus a ajudará, já ao romper da manhã.” (Sl 46.5b); “Sacia-nos de manhã com a tua benignidade.” (Sl 90.14).

Neste ponto recorremos à liturgia judaica como ilustração. No Sidur, livro de orações dos judeus, uma das orações exaltam a Deus pela “inteligência” que concedeu ao galo: “Bendito seja aquele que deu inteligência ao galo, para distinguir o dia da noite”. Está é uma oração para ser feita ao acordar, pela manhã. Expressa a gratidão por deixar a noite e voltar-se para o dia (a vida). Mas qual a inteligência do galo?

O canto dessa ave serve como referencial para o dia que surgirá. Para um novo amanhã. O “relógio funcional” do galo diz para ele que a noite está próxima de findar, mesmo sem ver a luz do dia. Aqui está a valorização do “canto do galo” na liturgia judaica: ele celebra a chegada do dia antes da noite findar. Ele sabe “distinguir o dia da noite” sem ver o dia.

O salmista Davi nos alerta:
O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Sl 30.5

Servir a Deus não é sinônimo de não ter problemas. As intempéries da vida surgirão, mas temos uma certeza: a noite terá fim! Deus nos garante que a luz da manhã nos trará alegria. A escuridão, a solidão ou o sofrimento, por mais cruel que seja, terá fim.

Salmos 30 expressa a certeza do livramento do Senhor e a gratidão por isso:

"Exaltar-te-ei, ó SENHOR, porque tu me exaltaste; e não fizeste com que meus inimigos se alegrassem sobre mim.
SENHOR meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste.
SENHOR, fizeste subir a minha alma da sepultura; conservaste-me a vida para que não descesse ao abismo.
Cantai ao SENHOR, vós que sois seus santos, e celebrai a memória da sua santidade.
Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
Eu dizia na minha prosperidade: Não vacilarei jamais.
Tu, SENHOR, pelo teu favor fizeste forte a minha montanha; tu encobriste o teu rosto, e fiquei perturbado.
A ti, SENHOR, clamei, e ao Senhor supliquei.
Que proveito há no meu sangue, quando desço à cova? Porventura te louvará o pó? Anunciará ele a tua verdade?
Ouve, SENHOR, e tem piedade de mim, SENHOR; sê o meu auxílio.
Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria,
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. SENHOR, meu Deus, eu te louvarei para sempre."
(Sl 30.1-12; sublinhado meu)

Jó confiou no Senhor no auge do seu sofrimento:

Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.” Jó 19.25

Por que está abatida a tua alma, e por que te perturbas dentro de ti? Espera em Deus, pois ainda o louvarás, o qual é a salvação da tua face, e o teu Deus. (Sl 42.11 – adaptado para segunda pessoa)


CONSULTAS:
CALENDÁRIOS JUDAICOS: http://www.ufrgs.br/museudetopografia/Artigos/CALEND%C3%81RIOS_JUDAICOS_3.pdf, acesso em 17/02/12 às 16:15h

Estudo Bíblico sobre Noite: http://bibliotecabiblica.blogspot.com/2009/07/estudo-biblico-noite.html, acesso em 17/02/12 às 15:30h

SIDUR: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sidur, acesso em 17/02/12 às 16:50h

HULL, William E. Comentário Bíblico Broadamn (João). Rio de Janeiro: JUERP, 1983.


Celson Coêlho
Editor do Blog
ebqrecife@hotmail.com
Twitter: @celson_coelho

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"SUBA A BORDO SCHETINO!" (a responsabilidade de conduzir vidas)

*Por Celson Coêlho

A frase título deste texto tomou conta do noticiário recente. Ela expressou a ordem para que Francesco Schetino reassumisse o comando de seu navio. Está inserida no contexto do naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concórdia, no dia 13 de janeiro deste ano. Com mais de 4200 pessoas a bordo, o transatlântico veio a pique por uma possível imprudência de seu comandante. No início do desastre, o comandante escolheu abandonar o barco, literalmente. Por isso, o chefe da guarda costeira local lhe ordenou: “Suba a bordo Shetino!”
Não estamos preparados para o desastre. Quase todos entram em parafuso. Contudo, não podemos nos mostrar covardes na adversidade. A fuga poderia ser esperada como atitude de todos, menos do comandante do navio. Os seus liderados aguardavam orientações. Os passageiros confiavam em procedimentos de emergência.
A tripulação de um navio não se escolhe do dia para noite. Ela é preparada. Treinada. Inclusive o comandante. Ele, normalmente, é o mais experiente a bordo. Nas simulações de emergência, em treinamento, espera-se por sua decisão. A questão é simples: não pode, em situação de desespero, várias pessoas tomarem decisões ao mesmo tempo. Quando se precisou do orientador, onde estava ele? A bordo do primeiro bote ao mar...

Conduzir vidas não é fácil! Envolve muita responsabilidade.
Não pensemos que é responsabilidade apenas de uns poucos. É do comandante do navio ou do avião. Mas também é do motorista do ônibus que tomamos. Da presidenta, governador ou prefeito, mas também do professor em sala de aula. Do gerente, diretor ou supervisor, na vida profissional, mas também do funcionário. Do pastor ou líder, na vida espiritual, mas também do pai de família e de cada indivíduo.
Conduzir nossas próprias vidas já é muita responsabilidade, imagine conduzir vidas de outros...


RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL
Jesus salientou a responsabilidade individual com a própria vida. Em Lucas 12.20, após parábola reprovando a avareza, vem a pergunta em tom de alerta: “Louco, esta noite pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Este é o ensino da prestação de contas. “Cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.” (Rm 14.12) A Bíblia está repleta de passagens que revelam este ensino:

  • Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado.” – Dt 24.16
  • Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro.” – Jó 19.4
  • Naqueles dias, já não dirão: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que embotaram. Cada um, porém, será morto pela sua iniquidade; de todo homem que comer uvas verdes os dentes se embotarão.” – Jr 31.29 e 30
Estas verdades jogam por terra o ensino nocivo da maldição hereditária. Esta tenta dissolver a responsabilidade individual pelos atos. Todos, com suas faculdades normais, são responsáveis perante Deus pelos seus atos; por sua vida.


RESPONSÁVEL POR OUTROS: BÔNUS E ÔNUS
Comandante para todos os momentos

Francesco Schetino tinha grande honra por ser comandante daquele navio. Ter pessoas sob sua autoridade é honroso. O centurião não escondeu essa verdade ao conversar com Jesus: “Porque também sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto e ele o faz.” (Lc 7.8)
O que muitos esquecem é que o bônus da autoridade é atrelado a seu ônus. É honroso construir uma família, mas tem seu ônus. Honrado também é aquele que dirige uma empresa, contudo a cobrança não é menor.
Aquele que atenta apenas para o que pode lucrar (o bônus), a Bíblia designa de mercenário (Jo 10.12 e 13). Mercenário (grego misthotos) é o trabalhador assalariado. Trabalha por um pagamento. Na Bíblia na Linguagem de Hoje encontramos: “O empregado [mercenário] foge porque trabalha somente por dinheiro e não se importa com as ovelhas.” (Jo 10.13)
“O mercenário não tem más intenções, como o ladrão e o salteador [Jo 10.1], mas não tem interesse pessoal pelas ovelhas do pastor verdadeiro. Ele toma conta delas em troca do seu salário; ele faz sua obrigação muito bem em tempos normais, mas quando há perigo ele está mais preocupado com sua segurança do que com a das ovelhas. Ele não se disporá a arriscar sua vida para defendê-las do lobo que as espreita, como o pastor de verdade.” (BRUCE, pg 197)
A Bíblia de Estudo de Genebra ressalta: “Jesus torna mais nítida a figura contrastando seu serviço sacrificial com o covarde abandono das ovelhas por aqueles que são motivados por interesse próprio. Ladrões roubam as ovellhas; o mercenário abandona as ovelhas; Cristo da a sua vida pelas ovelhas.” (pg 1248)

Em relação a ter pessoas sobre nossa responsabilidade no ministério, Hull comenta o capítulo 10 de João: “Todos que contavam com o bem estar espiritual dos outros deveriam suportar a sóbria verdade de que “daquele a quem muito é dado, muito se lhe requererá” (Lc 12.48) [pg 355]

Não adianta abandonar o barco... Se assumiu o comando do navio, é para o bônus e para o ônus. Em águas tranquilas e em possível naufrágio. Na honra e na cobrança.
“Suba a bordo Schetino” significa: reassuma sua posição, volte a comandar. A responsabilidade é sua, estão esperando por você.


QUAL CAMINHO SEGUIR?

Como conduzir vidas de forma sadia? Com sabedoria.
Josadak Lima define sabedoria como “a capacidade de distinguir entre bem e mal, verdade e mentira, coisas importantes e inúteis, e de tomar decisões apropriadas segundo os padrões corretos.” (Sabedoria: espiritual e vivencial, pg. 10)
A Bíblia nos diz que “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” (Tg 1.17) Deus é sábio (Rm16.27). Tendo falta de sabedoria, peçamos a Deus que é generoso e concederá sabedoria a todos que pedirem (Tg 1.5).

Salomão é conhecido como um dos homens mais sábios da história. Sua sabedoria é descrita de forma resumida em 1ºReis 4.29-34. Porém, ele não foi sempre assim. Ao ser instituído rei, Salomão não se esquivou de sua responsabilidade. Diante de Deus, reconheceu que era inexperiente (“não passo de uma criança” - 1Rs 3.7), que o trabalho era árduo (“povo grande, tão numeroso” - 1Rs 3.8) e que precisava do Senhor para orientá-lo (“dá ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo” - 1Rs 3.9). O coração de Salomão, humilde e desejoso de sabedoria, agradou ao Senhor (1Rs 3.10).

Jetro identificou o grande problema que outro líder, Moisés, teria para conduzir o povo: “Que isto que fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até o pôr do Sol?[...] Não é bom o que fazes. Sem dúvida desfalecerás, tanto tu como este povo que está contigo; pois isto é pesado demais para ti; tu só não podes fazer.” (Ex 18.15,17 e 18) O que temos registrado até o verso 27 é a base da boa liderança:
  • Depender de Deus – Ex 18.19 e 23;
  • Orientar o povo conforme a Palavra de Deus – verso 20;
  • Humildade para ouvir conselhos de pessoas sábias e guiadas por Deus – v 19a e 24;
  • Confiar em pessoas tementes a Deus e delegar-lhes tarefas – v 21, 22 e 25;
  • Não se esquivar da sua responsabilidade (maior que a dos outros) – v 19b, 22 e 26.
Moisés seguiu esses passos e foi grande líder!
Tomemos o conselho de Paulo a Timóteo:
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás a ti mesmo como aos teus ouvintes.” (1Tm 4.16)

BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Palavras Chave hebraico e grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo: Cultura Cristã, 1999;
BRUCE, F. F. João. São Paulo: Vida Nova, 1987;
GILMER, Thomas L; JACOBS, Jon; e VILELA, Milton. Concordância Bíblica Exaustiva. São Paulo: Vida, 1999; e
HULL, William E. Comentário Bíblico Broadamn (João). Rio de Janeiro: JUERP, 1983.

Celson Coêlho
Editor do Blog
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sábado, 21 de janeiro de 2012

IGREJA: natureza e características


*Por Celson Coêlho

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja,
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16.18)

A concepção do que é a igreja tem variado muito em nossos dias. Essa diversidade de entendimentos deve-se a diversidade de fontes de pesquisa ou interesse. Alguns definem a igreja pela linha da psicologia, outros pela sociologia. Outros a vêem como empresa ou pelo viés mercadológico.

Desses entendimentos, não tão corretos, destacamos dois. Boa parte da sociedade acredita que igreja é o templo onde as pessoas se reúnem. Essa definição não revela a natureza da igreja. O templo é necessário e importante, mas não revela o significado principal do ser igreja.

Concepção também aceita é que igreja é a denominação. Essa, também necessária e importante, não expressa à verdadeira natureza da igreja. A denominação possibilita a ação conjunta de varias igrejas locais, visando um bem comum. Porém, não expressa o entendimento mais importante do que é a igreja.

Para clarearmos nosso entendimento sobre a igreja, vejamos o que a Bíblia diz. A natureza e algumas características da igreja, a partir de Mateus 16.18.

O termo igreja (gr. ekklesia, derivado de ek+kletos), usado pela primeira vez em o Novo Testamento em Mt 16.18, revela a natureza da igreja. No original, igreja significa os “chamados [kletos] para fora [ek].” Representa um grupo de pessoas convocadas em assembléia. Em termos espirituais podemos dizer que são os “chamados para fora do mundo”.

Os primeiros discípulos foram assim “chamados” pelo Mestre: “Vinde após mim...” (Mt 4.19). Após o “chamado”, eles “deixaram imediatamente...” a vida de pescador, a velha vida. Dias depois, no desenrolar do seu ministério, o Salvador convidou:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Porque meu jugo é suave, e meu fardo é leve.” (Mt 11.28-30)

Essas são as pessoas chamadas para pertencerem a Cristo (Rm 1.6) e não mais ao mundo, pois todos os que Ele chamou, também os justificou (Rm 11.30).

Essa é a natureza da igreja, sua essência: Unida com Cristo, separada do mundo!

Para Paulo, essa união foi tão completa que ele afirmou: “... já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” (Gl 2.20)

Somam-se a esta definição algumas características da igreja evidentes no texto de Mt 16.18.

A primeira característica advém do pronome possessivo “MINHA” usado pelo Senhor Jesus. “Minha igreja” revela propriedade de Cristo. A igreja pertence a Ele. Não andamos como ovelhas que não têm pastor! (Mt 9.36)

Paulo nos esclarece que “na cruz” Cristo cancelou o escrito de dívida (cédula) que era contra nós (Cl 2.14 e 15). Na Bíblia na Linguagem de Hoje a expressão é “...conta da dívida”. O termo grego [cheirographon] “era usado como um termo técnico para o reconhecimento escrito de um débito. Era como uma nota promissória, assinada pessoalmente pelo devedor.” [1]

Nós tínhamos uma dívida. Ela foi paga por Cristo!

Ao completar sua obra na cruz, Jesus declarou “Está consumado [gr. tetelestai]!” (Jo 19.30) Este termo era usado por mercadores da época para confirmar o pagamento completo de uma dívida. Quando a dívida era paga, recebia-se um recibo com palavra “tetelestai”. Está consumado! Está pago! [2]

Nós fomos comprados pelo Salvador! Pertencemos a Ele!


Ampliando nosso entendimento sobre a igreja, encontramos uma segunda característica no texto de Mateus (16.18): Ser edificado pelo Senhor. Jesus afirmou: “EDIFICAREI [oiko+domeso] a minha igreja.” Até a volta do seu Senhor a igreja será edificada. Mais importante que isso, a igreja é edificada por Ele. A verdadeira igreja é “edificada progressivamente e incessantemente, cada vez mais, desde a fundação.” [3]

Esta edificação tem como fundamento a Palavra de Deus. Em Mateus 7.24 Jesus afirma que “todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou [okodomesen] sua casa sobre a rocha.” Esta construção não ruirá, pois é edificada sobre a Rocha. O próprio Jesus que concedeu a Palavra também concedeu os ministradores da Palavra:

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para edificação [oikodome] do corpo de Cristo.” (Ef 4.11 e 12)

Somos edificados por Cristo!

Outra característica da igreja extraímos da expressão: “... e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” A igreja está em constante batalha espiritual. A oposição é real. Porém, as portas do inferno, que significa o poder da morte, não têm força contra a igreja; não têm domínio sobre ela.

Instruindo a igreja sobre esta batalha espiritual, Paulo em Efésios 6.10, exorta-nos a estarmos firmes no Senhor e na força do seu poder. Que poder é esse que devemos confiar? É o mesmo que Paulo descreveu em sua oração no início desta epístola:
“... a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua destra nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser cabeça de todas as coisas o deu à igreja, a qual é seu corpo, a plenitude daquele que tudo enche em todas as coisas.” (Ef 1.19-23)

O cristão, conforme Ef 6.10, é chamado a desfrutar desse poder. Ele próprio deve estar cônscio da batalha e responder a ordem descrita pelo apóstolo nos imperativos “fortalecei-vos” (6.10) e “revesti-vos” (6.11).

A igreja, por pertencer a Deus, é sempre alvo das “astutas ciladas do Diabo” (6.11). Contudo, se aceitarmos o chamado divino (real natureza da igreja); tornando-nos sua propriedade (1ª característica); e se continuarmos sendo edificados por ele (), certamente “as portas do inferno não prevalecerão” contra nós.


NOTAS:

[1] RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon. Chave Linguistica do Novo Testamento Grego;
[2] Para um estudo mais detalhado o termo grego “tetelestai” sugiro o bom texto do Pr. Marcelo Oliveira: http://www.davarelohim.com.br/tetelestai-esta-consumado;
[3]Bíblia de Estudo Palavras-Chave, pg. 2317.

(Mensagem compartilhada na União Evangélica da Base Aérea do Recife; reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com/)

Celson Coêlho
Editor do Blog
ebqrecife@hotmail.com
Twitter: @celson_coelho

domingo, 15 de janeiro de 2012

ENTRE ASPAS #3

(imagem extraída de www.visualphotos.com)

Enquanto não escrevo, mas uma citação. Acabei de ler na manhã de hoje, finalizando este livro, resume o objetivo do autor: 

"Devemos voltar à adoração como participação, por meio do Espírito, no relacionamento do Filho com o Pai. Devemos voltar a Bíblia como único livro que Deus escreveu para revelar quem é, o que está fazendo no mundo invisível e o que seu poder pode fazer em nosso coração.
E devemos voltar a oração como oportunidade não de alcançar uma vida melhor ou benifícios imediatos, mas de adentrar um relacionamento mais íntimo com Deus."

(últimas palavras de Larry Crabb em seu livro "Em Nome do Pai", sobre oração. Sublinhado meu.)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ENTRE ASPAS #2



O resultado do trabalho da ED [Escola Dominical] nunca é neutro na formação do aluno. Ou ele recebe, por meio da aula, ensinamentos e vivências que influenciarão sua vida de maneira rica, colaborando para um desenvolvimento saudável, ou, ao contrário, contribuir para o desinteresse do aluno pela aula ou para a identificação com características não saudáveis do professor, contribuindo para que o aluno perca a oportunidade de crescimento pleno.”
(Sônia Pires Ramos, AUTOESTIMA E PERDÃO NA ED. In Ensinador Cristão, Nº 48. CPAD. / Sublinhado meu)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

(Lançamento) GÊNESIS: DO JARDIM AO EGITO - Revista DEBQ Juniores 1T2012


"Queridos pais, ficamos felizes em ter seu filho como aluno da Escola Bíblica, nossos professores são pessoas amáveis e dedicadas ao ensino da Palavra de Deus, sempre que possível acompanhe e incentive o trabalho docente.

Leia junto com seu filho esta revista e acompanhe as atividades de leitura diária da Bíblia, vocês pais, serão os primeiros a observar a transformação maravilhosa de cada um deles.

Nosso alvo como educadores é auxiliar os pais na missão de ensinar os jovenzinhos a crescerem na Graça e no Conhecimento da Palavra de Deus e tornarem-se cidadãos felizes, que promovem a paz e a Verdade."

(Extraído de www.sgec.org.br)